Animais
Mamíferos → Genetta genetta (Linnaeus, 1758)
Nome vulgar:
Geneta
Família:
Viverridae
Origem e distribuição:
Distribui-se pela maior parte da Península Ibérica, com focos de maior abundância como é o caso das Astúrias, Extremadura e Castela. Está também presente no Oeste-Sudoeste Francês e em grande parte de África, exceto nos desertos e áreas húmidas tropicais.
Presença na Universidade de Aveiro:
Na Universidade de Aveiro, a geneta ocorre na área pantanosa existente sob a ponte do Crasto, tendo já sido capturada em câmara de armadilhagem fotográfica nas traseiras da cantina do Crasto.
Descrição:
A geneta é um mamífero carnívoro que não ultrapassa os 104 cm de comprimento e os 2,6 kg. Apresenta uma estrutura corporal esbelta, delgada e alongada, como um felídeo, mais especificamente como um gato. Possui membros curtos com 5 dedos em cada pata e garras semi-retráteis. A cabeça é pequena, o focinho afilado, as orelhas de grande dimensão e a cauda comprida e volumosa com a extremidade afilada, constitui cerca de metade do comprimento total do animal (40 a 52 cm). A pelagem é castanho-acinzentada ou amarelada com manchas escuras, que se distribuem por todo o corpo de forma mais ou menos alinhada, podendo por vezes fundir-se para formar linhas longitudinais. Ao redor de cada olho observa-se uma mancha de cor esbranquiçada. A cauda é constituída por anéis largos de cor escura e clara, que alternam entre si.
Indícios de presença:
As pegadas dos membros anteriores têm 3 x 2,5 cm e as dos membros posteriores 3 x 3 cm e mostram 5 dedos, onde normalmente não se observam as garras marcadas. Os excrementos serão o indício de presença mais comum desta espécie. Com uma dimensão considerável, quando comparados ao tamanho da geneta, os excrementos podem ter entre 10 a 24 cm de comprimento e 1 a 2 cm de diâmetro, apresentando uma cor acinzentada. Por norma, são depositados em forma de U em amontoados bem visíveis nas latrinas que fazem um pouco por todo o lado, em pontes sobre canais, em troncos de árvores, em telhados, em torres de observação ou em alpendres. As latrinas podem conter centenas de excrementos, que muitas vezes contêm restos de lagostins na composição, os quais diferem dos excrementos de lontra devido à falta de um líquido viscoso que mancha o local da deposição. As acumulações de dejetos deixadas em pontos elevados favorecem a dispersão do odor a almíscar, funcionando como marcação territorial.
Habitat e ecologia:
A geneta ocorre em grandes áreas de regiões húmidas com elevada densidade arbustiva. Os carvalhais, os bosques de azinheiras, sobreiros ou olivais constituem os seus territórios preferenciais, indiciando ser bastante abundante em galerias ripícolas ao longo dos montados. Os ninhos são forrados com vegetação e podem ser encontrados em tocas feitas no sedimento ou em árvores. É uma espécie capaz de se adaptar a diversos biótopos se neles existir abundância de presas e de refúgios.
Dieta:
Está adaptada ao consumo de micromamíferos , apresentando uma dentição ajustada à captura e dilaceração das presas, com caninos muito desenvolvidos, e molares e pré-molares com tubérculos pronunciados. A sua presa de eleição é o rato-do-campo (
Apodemus sylvaticus), embora exista alguma flexibilidade alimentar, uma vez que está um pouco dependente daquilo que a natureza lhe oferece, podendo capturar lebres, coelhos ou ratazanas. Quando os roedores e os lagomorfos escasseiam consegue capturar tordos e pardais, répteis, anfíbios, peixes e também alguns invertebrados como lagostins, centopeias, escorpiões ou caracóis, pontualmente poderá ingerir ovos. Na ausência de presas, a geneta consome alimentos de origem vegetal, como amoras, figos e uvas, e pode ainda ingerir algumas ervas que ajudam a limpar o trato digestivo de parasitas.
Reprodução:
A reprodução pode ocorrer ao longo de todo o ano, sendo notória entre janeiro e setembro, com picos na primavera e no outono. A gestação tem uma duração de 70 a 77 dias e por isso os nascimentos ocorrem entre abril-maio e agosto-outubro. As ninhadas vão de 1 a 4 crias, que nascem cegas e ainda com os canais auditivos fechados, nos ninhos feitos em troncos de árvores, fendas na rocha ou em tocas. São amamentadas pela progenitora ao longo de várias semanas, começando a ingerir alimentos sólidos a partir dos 45 dias. Tornam-se independentes aos 6-9 meses, quando já são capazes de caçar, atingindo a maturidade sexual aos 2 anos de idade.
Organização social:
São animais solitários, no entanto são tolerantes quando se cruzam com outros indivíduos da mesma espécie e por isso, ocasionalmente, podem ser avistados aos pares. Apresentam territórios com dimensões consideráveis, sendo pouco frequente haver sobreposição de territórios entre indivíduos do mesmo sexo. Quando se dão encontros, mesmo que ocasionais, não deixam de tentar intimidar o outro indivíduo através de sinais auditivos e visuais como rosnados e sons intimidatórios enquanto exibem os dentes e arqueiam o dorso com o pelo eriçado. Os diferentes indivíduos reconhecem-se socialmente através de marcações olfativas que vão deixando um pouco por todo o seu território, esfregando o pelo nas árvores e noutras estruturas que o permitam. Para além do local onde são deixados dejetos, as latrinas são também importantes formas de comunicação, uma vez que são utilizadas por vários indivíduos, podendo ter um importante papel no reconhecimento de outros animais e na manutenção da estrutura familiar.
Comportamento:
Crepuscular e noturna, esta espécie tem o pico de atividade entre o pôr do sol e as 24 horas, podendo estar também ativa durante o dia, embora seja menos frequente. Durante o dia dorme na toca, ou nas estruturas de proteção que tem destinadas a essa função. Tal como o sacarrabos, pode ocupar tocas abandonadas de texugos ou coelhos. Estes esconderijos onde repousa não são fixos, podendo variar de dia para dia e estar distanciados mais de 2 km entre si. Passa grande parte do período ativo no solo, apesar de ser boa trepadora.
Longevidade:
Em cativeiro atinge facilmente os 15 anos, no entanto, na natureza a idade média é bem menor, uma vez que está exposta aos predadores naturais, como o lince-ibérico (
Lynx pardinus), a raposa (
Vulpes vulpes) e rapinas de grande porte como o bufo-real (
Bubo bubo) e a águia-real (
Aquila chrysaetos), sendo também vulnerável à perseguição pelo Homem.
Ameaças:
Em Portugal, as principais ameaças são de origem antropogénica, entre as quais a atividade cinegética, a fragmentação do habitat e a perseguição por pequenos criadores de aves como galinhas.
Estatuto de ameaça:
Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental – Pouco Preocupante
IUCN – Pouco preocupante
Diretiva Habitats – Anexo B-V
Convenção de Berna – Anexo III
Tendência populacional – Estável
Curiosidades:
Há várias teorias para a origem da geneta no continente europeu. Uma delas propõe que a geneta entrou na Europa através de uma expansão natural antes da formação do estreito de Gibraltar. A outra hipótese propõe que esta foi introduzida pelo Homem, mais concretamente pelos Árabes, que a terão trazido para a Península Ibérica como animal de estimação, antes da domesticação dos gatos, sendo utilizada para o extermínio dos ratos nas habitações.