Nome vulgar:
romãnzeira
Outros nomes:
romãzeira; romera; milagreira; romãzeira-de-jardim; pomegranate
Família:
Lythraceae
Origem e distribuição:
Nativa do sudeste da Europa e sudoeste da Ásia, do extremo oriental mediterrânico aos Himalaias; cultivada há milénios no sul da Europa, frequentemente naturalizada na região mediterrânica.
Presença na Universidade de Aveiro:
campus Santiago
Descrição:
Arbusto ou pequena árvore de folhagem caduca, com 3-5 m de altura, mais raramente atingindo 10 m. Casca castanho-acinzentada, ramos numerosos, por vezes espinhosos. As folhas são simples, inteiras, com disposição oposta ou agrupadas, 2-8 cm de comprimento, forma obovado-lanceolada a estreitamente lanceolada. São glabras e verde-brilhantes, lustrosas na página superior; pecíolo muito curto.
As flores, hermafroditas, surgem sozinhas ou em grupos de 2-3, nas extremidades dos ramos. O cálice é avermelhado, grosso e carnudo, persistente, em forma de taça, abrindo em 5-8 dentes triangulares. As pétalas, 5 a 7, são laranja-escuras a vermelho-escuras, obovadas e livres, estando inseridas entre as sépalas; estames numerosos. O fruto (romã), designado botanicamente por balaústia, é aproximadamente esférico, com 5-10 cm de diâmetro, casca coriácea, amarelada a vermelho-acastanhada na maturação, coroada pelos dentes do cálice persistente. O interior encontra-se dividido por membranas esbranquiçadas, criando muitos compartimentos, cada um com numerosas sementes. As sementes são prismáticas, formadas por um caroço esbranquiçado e por polpa carnuda, vermelha-translúcida, doce na maturação.
Floração:
maio-agosto
Frutificação:
setembro-novembro
Habitat e ecologia:
Cresce na orla de bosques, até 2700 m de altitude. Tolera vários tipos de solo, mas com preferência por solos calcários e secos, em locais abrigados. Resiste à secura e é pouco afetada por pestes e doenças. Esta espécie é cultivada em Portugal mas também se encontra no estado silvestre, principalmente a sul do Tejo.
Usos:
Espécie cultivada desde a Antiguidade, existem registos da sua utilização há mais de 3000 anos, tendo ainda hoje bastante interesse económico. As romãzeiras são mais frequentemente plantadas com fins ornamentais, em jardins, ou para produção de fruto. O fruto é comestível, apresentando elevado teor de antioxidantes. É doce e aromático quando cultivado, mas geralmente amargo em romãzeiras silvestres. Todas as partes da planta têm propriedades medicinais, sendo eficaz contra infeções de garganta, tosse, problemas cardíacos, de estômago, diarreia e disenteria. A raiz é utilizada como desparasitante dos intestinos, expulsando principalmente ténias. A casca do tronco e frutos é particularmente rica em taninos, que têm propriedades adstringentes.
Observações:
Há registos sobre romãs ou romãzeiras em papiros egípcios (1550 A.C.), e em textos de Homero (Grécia Antiga), tendo a romã sido muito associada à fecundidade, abundância, e riqueza, ao longo dos milénios. O género
Punica inclui apenas duas espécies,
Punica granatum, aqui descrita, e
Punica protopunica. Esta última encontra-se em vias de extinção pois existem poucos exemplares e apenas na ilha de Socotra.