Nome vulgar:
tamargueira
Outros nomes:
tamargueira-de-espigas-grossas; tamargueira-de-rama-preta; tramagueira; tamarga
Família:
Tamaricaceae
Origem e distribuição:
Região Mediterrânica; em Portugal ocorre junto a cursos de água e na faixa litoral a norte, e em todo o território a sul do Tejo.
Presença na Universidade de Aveiro:
campus Santiago
Descrição:
Árvore de folhagem caduca, que atinge 8 m de altura e geralmente ultrapassa os 100 anos. Copa irregular, tronco de cor parda a púrpura-escura, tornando-se mais escuro e fissurado com a idade. Ramos flexíveis, sem pelos, exceto ráquis das inflorescências florais, que são papilosas. As folhas são muito pequenas (menos de 5 mm de comprimento), inteiras, alternas, escamiformes, agudas, e sem estípulas. Cor verde-escura, com margem membranosa semi-transparente. Existem glândulas salinas na epiderme das folhas.
As inflorescências são cachos em forma de espiga, que reúnem muitas flores pequenas, em ramos do ano anterior ou do próprio ano, e que podem desenvolver-se antes ou ao mesmo tempo que as folhas. As flores, hermafroditas, têm 5 pétalas brancas ou rosadas, angular-ovadas, com 2-3 mm, 5 estames livres e 3 estiletes. O fruto é uma cápsula ovalada, formada por 3 valvas, que contém numerosas sementes. Estas possuem um tufo de pelos na extremidade.
Floração:
março-junho
Frutificação:
junho-agosto
Habitat e ecologia:
Cresce em sapais costeiros, estuários, margens de rios e lagos, com preferência por climas quentes, boa exposição solar, solos húmidos e bem drenados, tolerando submersão das raízes por períodos curtos. É muito resistente ao fogo, com um sistema radicular profundo e ramificado, sendo por isso muito importante para os solos e para a sua fixação. Pode fazer parte de bosques abertos, juntamente com espécies de salgueiros, juncos e tabúas. Quando é dominante, as comunidades designam-se por tamargais, e podem servir para refúgio de diversas espécies de fauna silvestre, nomeadamente aves.
Usos:
Pode ser plantada isolada ou em grupo, para formar sebes. São úteis para criação de barreiras de proteção contra os ventos, nomeadamente em jardins de zonas costeiras. Graças ao seu sistema radicular bem desenvolvido, são muito importantes para fixação de dunas litorais e margens de ribeiras. Pode também ser utilizada como planta ornamental, principalmente pelas suas flores e pelo seu rápido crescimento.
Observações:
Os Romanos utilizavam os nomes
tamarix,
tamariscus e
tamarice. Mais tarde Lineu criou o género
Tamarix, que se pensa ter origem no nome do rio Tambre, na Galiza, conhecido por rio Tamaris na época Romana, e cujas margens eram fortemente populadas por tamargueiras. Existem outras espécies do género
Tamarix nativas em Portugal continental: tamariz (
T. gallica) e tamargueira-raiana (
T. mascatensis) e a tamargueira-rosada (
T. canariensis). Cada espécie tem pormenores que a diferenciam das restantes, e tem uma distribuição característica.